28/10/2007

O SONETO (Cruz e Souza)


Nas formas voluptuosas o soneto
Tem fascinante, cálida fragrância
E as leves, langues curvas de elegância
De extravagante e mórbido esqueleto.


A graça nobre e grave do quarteto
Recebe a original intolerância,
Toda a sutil, secreta extravagância
Que transborda terceto por terceto.


E como um singular polichinelo
Ondula, ondeia, curioso e belo,
O Soneto , nas formas caprichosas.


As rimas dão-lhe a púrpura vetusta
E na mais rara procissão augusta
Surge o sonho das almas dolorosas...