“Um dia”
Como eu chorava por não ter sapatos!...
Ora culpava Deus, ora meus pais;
Blasfemava, os chamava de insensatos;
Incapazes de entender os meus ais.
Temia as pedras, por onde eu passava
Tão triste, descalço, desprotegido...
E se me feriam, mais eu chorava,
Mais e mais me sentia incompreendido.
Via em lojas, nas vitrines, modelos
Sociais... os esportivos... importados!...
E chorava, toda vez, por não tê-los.
Um dia, de uma delas, através,
Vi, com meus olhos de pranto embaciados,
A rir, um homem que não tinha os pés!
Como eu chorava por não ter sapatos!...
Ora culpava Deus, ora meus pais;
Blasfemava, os chamava de insensatos;
Incapazes de entender os meus ais.
Temia as pedras, por onde eu passava
Tão triste, descalço, desprotegido...
E se me feriam, mais eu chorava,
Mais e mais me sentia incompreendido.
Via em lojas, nas vitrines, modelos
Sociais... os esportivos... importados!...
E chorava, toda vez, por não tê-los.
Um dia, de uma delas, através,
Vi, com meus olhos de pranto embaciados,
A rir, um homem que não tinha os pés!