07/01/2008

“Edifissoneto”


São quatorze versos simulando os andares:
Este é um soneto que também é um edifício!...
Erguido com inspiração, sem sacrifício,
Pra condomínio dos meus risos e pesares.

As letras são blocos, compondo a alvenaria;
Não podeis ver... entre os espaços há janelas!...
Às noites, pensativa, em busca da alegria,
Por vezes a minha alma se debruça nelas...

Meio ao delírio de um sonho, nalgumas canta;
Noutras, feito uma louca, ri tanto, gargalha,
Que a vizinhança, com tanto alarde se espanta.

Quem pensa molestar-me, já no “hall” de entrada
Encontrará de aço, robusta, o que atrapalha:
Uma porta enorme, à chave de ouro trancada!