VIRGENS MORTAS (Grafia original)
Quando uma virgem morre, uma estrella apparece,
Nova, no velho engaste azul do firmamento:
E a alma da que morreu de momento em momento,
Na luz da que nasceu palpita e resplandece.
Ó vós, que, no silencio e no recolhimento
Do campo, conversaes a sós quando anoitece,
Cuidado! - o que dizeis, como um rumor de prece,
Vae sussurrar no céo, levado pelo vento...
Namorados, que andaes com a bocca transbordando
De beijos, perturbando o campo sossegado
E o casto coração das flores inflammando,
Quando uma virgem morre, uma estrella apparece,
Nova, no velho engaste azul do firmamento:
E a alma da que morreu de momento em momento,
Na luz da que nasceu palpita e resplandece.
Ó vós, que, no silencio e no recolhimento
Do campo, conversaes a sós quando anoitece,
Cuidado! - o que dizeis, como um rumor de prece,
Vae sussurrar no céo, levado pelo vento...
Namorados, que andaes com a bocca transbordando
De beijos, perturbando o campo sossegado
E o casto coração das flores inflammando,
- Piedade! ellas veem tudo entre as moitas escuras...
Piedade! esse impudor offende o olhar gelado
Das que viveram sós, das que morreram puras!
Olavo Bilac
(1865-1918)