"Esforços inúteis"
Por que cultivo esse ardor tão intenso,
Se tu nem me olhas, se não me crês?...
Se o mundo de paixões a que pertenço
Jamais te abrigou, nem uma só vez?...
Tocar as tuas mãos... ah! como eu queria;
Beijar os teus lábios num terno instante...
Fartar-me dessa luz que se irradia
Do teu olhar sereno e fascinante.
Meio aos esforços inúteis, perdido,
Tão alto que possa, sem ser ouvido,
Muitas vezes, em desespero, grito...
E sinto que, aos poucos, nessa aventura,
Num misto de sonhos e de loucura,
Eu vou, de Sísifo, recriando o mito!