12/03/2012

"CACOS" (Soneto nº 64)


Enquanto estava inteiro dei-me todo
A quem me fez estátua destroçada.
Agora em mil pedaços dou-lhe cada
E todo caco cheia deste lodo.

Eu tento refazer-me de algum modo
Por emendar em mim o que me agrada.
Do coração partido foi levada
A parte sã por ventos onde eu rodo.

Pois é tão fraca a cola com que grudo
O pouco que restou de mim na escada.
Sim, todo pedacinho tão miúdo...

A estátua está de novo descolada
Porque dei um amor maior que tudo
A alguém com um amor menor que nada!


EDEN SANTOS OLIVEIRA