11/05/2013



“CONSELHO”



Poeta, me desculpa, eu não entendo
Por que contas ao mundo os teus segredos?
Descubro os teus amores e os teus medos
Em todos os teus versos que estou lendo!...

Será que não percebes a imprudência
Que estás a cometer quando os escreves?
Pra bem distante, logo, todos, leves
E rasgue, e queime tudo, sem clemência.

Depressa atire fora a pena insana
Que agita estes teus dedos inocentes,
Que finge ser amiga, mas te engana.

Deixa pra sempre a dor na tua alma quieta,
Guarda em silêncio tudo o que tu sentes,
Renega o teu instinto de poeta!



“RESPOSTA A UM CONSELHO”



  Não posso renegá-lo, é um dom divino,
E devo confessar que me faz bem,
Embora vás pensar que é um desatino:
Ouvir atento a voz que da alma vem.

Um misto de murmúrios e altos brados
Que poucos podem perceber, no entanto:
Dela, no mais íntimo disfarçados,
Há risos, gritos, soluços e pranto.

Reverberam lamentos, confidências;
Restos de saudades e desencantos
Das mais inusitadas procedências.

E foi pra ouvir das almas essa voz,
Pra deslindar os seus mistérios, tantos,
Que Deus pôs os poetas entre nós!...