22/07/2015







“Relógio de parede”





Ah, esse relógio de parede, sem graça,

De tique-taque barulhento e persistente...

Nos esforçamos pra esquecer que o tempo passa,

E o chato insiste em badalar, lembrando a gente!



Vai arrastando a nossa vida em seus ponteiros,

Sem ter qualquer consentimento, à revelia...

Cruel tirano, que com três bisbilhoteiros,

Do nosso tempo de existência se apropria.



O dos segundos, mais esbelto e mais veloz

Que os outros dois, no seu frenético girar,

Parece um louco zombeteiro a rir de nós...



Fico torcendo pra que a úmida parede,

Um dia faça essa engenhoca enferrujar,

E desse sorvedor de tempo aplaque a sede!...