“Relógio de parede”
Ah, esse relógio de parede, sem graça,
De tique-taque barulhento e persistente...
Nos esforçamos pra esquecer que o tempo passa,
E o chato insiste em badalar, lembrando a gente!
Vai arrastando a nossa vida em seus ponteiros,
Sem ter qualquer consentimento, à revelia...
Cruel tirano, que com três bisbilhoteiros,
Do nosso tempo de existência se apropria.
O dos segundos, mais esbelto e mais veloz
Que os outros dois, no seu frenético girar,
Parece um louco zombeteiro a rir de nós...
Fico torcendo pra que a úmida parede,
Um dia faça essa engenhoca enferrujar,
E desse sorvedor de tempo aplaque a sede!...