"Relógio de parede II"
"- Relógio de parede, oh, máquina infernal,
Ruidosa velharia que me rouba a calma...
Tão fria e brutalmente impinges à minh’alma
Teu badalar rangente e sobrenatural.
De sobressalto, quantas noites me acordaste,
Na mais flagrante afronta ao meu sono, já leve!..."
Que lamentável sina, a minha, que se atreve
A me roubar a paz tão desprezível traste?
Eu hei de me vingar quando raiar o dia!...
Emudecer pra sempre a voz do impertinente:
Sua tiquetaqueante e estúrdia sinfonia...
E assim, peça por peça eu fui jogando fora...
E toda a casa, toda noite, é tão silente,
Que é exatamente o que me rouba o sono agora!...