“CONSELHO”
Poeta, me desculpa, eu não entendo
Por que contas ao mundo os teus segredos?
Descubro os teus amores e os teus medos
Em todos os teus versos que estou lendo!...
Será que não percebes a imprudência
Que estás a cometer quando os escreves?
Pra bem distante, logo, todos, leves
E rasgue, e queime tudo, sem clemência.
Depressa atire fora a pena insana
Que agita estes teus dedos inocentes,
Que finge ser amiga, mas te engana.
Deixa pra sempre a dor na tua alma quieta,
Guarda em silêncio tudo o que tu sentes,
Renega o teu instinto de poeta!