05/04/2007

"Uma noite de seresta"

Uma noite de seresta,
Pra nós é uma noite de festa,
De incomparável beleza.
E, já não é mais surpresa,
Quando em trajes de princesa,
Às vezes, a própria lua,
Desce dos céus pra rua,
Querendo cantar também.
E sempre acontece, o passado,
Em tantas canções, revelado,
Por nós, nessa noite, procura...
No curto instante que dura,
Essa aura de ventura,
Que toda seresta tem.

Uma noite de seresta,
Às nossas almas empresta,
Indescritível leveza.
Que uma possível tristeza,
Se despede, com certeza,
Sentindo que a felicidade
Se espalha por toda a cidade,
Do coração de alguém.
No bandolim, e no violão,
Vibrando, uma forte emoção,
À nossa voz se mistura...
No curto instante que dura,
Essa aura de ventura,
Que toda seresta tem.

Uma noite de seresta,
É apenas um pouco que resta,
De uma autêntica poesia.
Que era alegre todo dia,
E vai virar monotonia;
Vai morrer aos poucos, sem graça,
Se, à medida que o tempo passa,
Não lhe cede a voz, ninguém...
Mas aqui, há de brilhar,
Nós iremos sempre exaltar,
Sua ímpar formosura...
No curto instante que dura,
Essa aura de ventura,
Que toda seresta tem!
“Ser seresteiro”

É um privilégio ser seresteiro,
Cantar de Janeiro a Janeiro,
As canções de amor mais belas.
No meio da praça, na rua,
Sob os olhares da lua,
Ou embaixo das janelas.

Das estrelas, em companhia,
Vive a alegre confraria,
Quando é noite, o ano inteiro.
E com notável constância,
Vêm as lembranças da infância,
Saudades do amor primeiro.

É uma virtude ser seresteiro,
Cantar de modo altaneiro,
Na voz, tendo o coração.
Bem alto, ou até murmurando,
Seguir sorrindo, cantando,
Zombando da solidão.

Ser seresteiro é ser dono,
Nas noites em claro, sem sono,
Das chaves da ilusão.
É seguir pela vida ensinando,
Em naus de versos, navegando,
Os mistérios da paixão!

Que felicidade, é ser seresteiro,
É como ser jardineiro,
Plantando canções por aí.
É uma missão, e é mais linda,
É muito mais, creio, ainda,
Que tudo que eu disse aqui!
“Hino do Alegrense F. C.”



Renasce o glorioso, é tricolor;
Alegre mais se torna esta cidade.
Em todos os gramados, por onde ele passar,
Felizes torcedores vão contar.
As glórias desse herói tricampeão,
71, 72, 73.
Vencer é sua meta, a sua tradição;
O Alegrense vive em nosso coração.

O vermelho simboliza sua garra sem par,
No amarelo a destreza do seu time se traduz;
No azul a confiança da torcida a iluminar,
O caminho que às vitórias o conduz.
"Armagedom"
(Finalista do XXII FAMA - Alegre - ES)

Introdução: (D D#º C#m7 F#7 Bm7 E7 A7/9) (D D#º C#m7 F#7 Bm7 E7 F7+ Bb7+ A7+)



A7+ A#º Bm7
Oh, quem diria, ai meu Deus, epidemia
G#m7/5- C#7/9- F#m7 (A7)
Um surto grave de crescente hipocrisia
D D#º C#m7 (F#7)
Farrapos vivos pelas ruas da cidade
B7/9 E7/9
Comendo a sobra que lhes deixa a burguesia.
A7+ A#º Bm7
A violência usurpando a liberdade
G#m7/5- C#7/9- F#m7 (A7)
Homens correndo alucinados pro futuro
D D#º C#m7 (F#7)
Tragédia, farsa, ou comédia, o que se passa
Bm7 E7 A7+
Em toda parte, com o palco no escuro.
G#m7/5- C#7/9- F#m7
Flutua o dólar, cai o muro, a vida é cara
D D#º C#m7
O imposto assusta, o leão! Mas quem declara?...
G#m7/5- C#7/9- F#m7
Maracutaias, se misturam terno e saias
G#7 C#7
Nessa folia, oh, quem diria, desvairada.
G#m7/5- C#7/9- F#m7
A classe alta, a “dolce vita”, nem se importa
D D#º C#m7
Se a barragem pouco a pouco abre a comporta
G#m7/5- C#7/9- F#m7
Jorrando o sangue e o suor dos miseráveis
Bm7 E7 A7+
Que suplicantes, por um pão, batem à porta.

(Introdução)
(A harmonização da 2ª parte é idêntica à da 1ª)

Fala-se em planos, em reformas sociais
Fala-se em glória a quem não tem mais ideais
Enquanto os sonhos vão morrendo de overdose
De negligência, morrem gente e hospitais.
A cada dia um cidadão se diz vidente
Logo aparece nas tevês e nos jornais
Cria moedas, cria planos irreais
Como se a massa fosse estúpida ou demente.

O Armagedom já se desenha em nossa mesa
Graças ao “gênio” dos arautos da incerteza
Sinais dos tempos, do som forte das trombetas
Anunciando a justiça que há de vir.
Do sol, de outros planetas, dos cometas
Que venha o fogo nossos erros consumir
Purificando o fundo imundo das sarjetas
E a nós mortais, enfim nos possa redimir.

(Introdução)
“Ontem à tarde...”
(Classificado em 2º lugar no "V Concurso Newton Braga de Poemas", em nível nacional, em 2006)

Ontem à tarde um Jasmim falou-me assim: “-A Margarida anda sumida do jardim!... A ví aos beijos com um Lírio, que martírio... Eu que sonhava essa ventura só pra mim! Eu vi a Rosa, tão airosa, toda prosa, “Fazendo graça”, lá na praça, pra quem passa; A Samambaia vive encurtando a saia... Que despautério!... esse lugar já foi mais sério!... Que houve com as flores, antes tão discretas, Tão sem pudores, tão irrequietas?... Quando é tarde, a noite vem, “pés de veludo”, No escurinho fazem tudo que lhes convém; No meu cantinho, eu permaneço tão sozinho, No abandono, sem ter sono, sem ninguém”. ....................................................................... Ontem à tarde, um Jasmim contou pra mim: “-A Violeta vai casar-se, até que enfim!.. Pra quem dizia que ela ia ser “titia”... Desencantou, despetalou, engravidou! A Trepadeira, ah, quem diria... virou freira; Passa os dias, passa as noites, a rezar; A Dália quer casar, véu, grinalda, na igreja; Não importa o noivo, pode ser qual flor que seja. Que houve com as flores, hoje tão discretas, Tem mil pudores, viçam tão quietas?... Quando é tarde, a noite vem, já estão dormindo, A sonhar, num sonho lindo, com alguém. Tão sozinho, eu continuo em meu cantinho, Sem ter sono, no abandono, sem ninguém”.

04/04/2007

“Peça”



A nossa vida é uma peça, um ato por dia;
Nove meses encenados num palco escuro...
E, nele, começando a carreira, inseguro,
Um ator apenas, numa casa vazia.

Sem a ribalta, sem aplausos, nem platéia,
O anônimo artista segue representando...
E todas as cenas são mudas, até quando,
Anunciarem um novo teatro, nova estréia.

Vão vir então apupos, e ovações, à beça,
Espectadores a confundir-se, milhares,
Com milhares de atores, numa mesma peça...

Dará prazer, às vezes ódio, estar em cena;
Nós seremos o alvo de inúmeros olhares...
Uns serão de aprovação, e uns outros, de pena!