11/06/2010

“Questão”

Sou fingidor exímio, (sou poeta!)...
E afirmo: Não existe um mais fingido!
Nem creio que jamais tenha existido
Quem finja assim, de forma tão discreta.

Além disso, pra espanto de vocês,
Confesso, muito tenho me cuidado:
Temendo ver meu vício revelado,
Chego a fingir que finjo alguma vez!

Agora mesmo, neste exato instante,
(E pode parecer-lhes bem chocante!...),
Eu posso estar fingindo, e nem notaram...

Sei que aborreço, e peço o meu perdão,
Mas, a mim mesmo, intriga esta questão:
Fingir!... Nasci sabendo, ou me ensinaram?...

08/06/2010

"O Frade e a Freira"
BENJAMIN SILVA (1897-1954)

Na atitude piedosa de quem reza
e como que num hábito embuçado,
pôs naquele recanto a natureza
a figura de um frade recurvado.

E sob um negro manto de tristeza
vê-se uma freira tímida a seu lado.
que vive ali rezando, com certeza,
uma oração de amor e de pecado...

Diz a lenda - uma lenda que espalharam -
que aqui, dentre os antigos habitantes,
houve um frade e uma freira que se amaram. . .

Mas que Deus os perdoou lá do infinito,
e eternizou o amor dos dois amantes
nessas duas montanhas de granito!

30/04/2010

(*) Quero externar aqui a minha gratidão pela prestimosa ajuda do Presidente da Academia Cachoeirense de Letras, Sr. Solimar Soares da Silva, que me enviou uma cópia do poema: "Itabira" (Não é um soneto, como eu pensava!...) de Benjamin Silva, na sua forma correta. Muitíssimo obrigado pela atenção!





"ITABIRA"

ITABIRA, ÍDOLO DA MINHA TERRA,
DE BELEZAS RARÍSSIMAS E ESTRANHAS,
ALTIVA A DOMINAR SERRA POR SERRA,
TODA A VASTA AMPLITUDE DAS MONTANHAS.

É UM ESGUIO PEDAÇO DE GRANITO,
DA SINGULAR CONFORMAÇÃO DE UM DEDO,
QUE PARECE INDICAR QUE NO INFINITO
EXISTE ALGUM MISTÉRIO, ALGUM SEGREDO...

PARA O NAUTA PERDIDO PELOS MARES,
RUMO INCERTO A SEGUIR QUANDO ANOITECE,
POR ENTRE A LUZ SOMBRIA DOS LUARES
ELA É O PRIMEIRO GUIA QUE APARECE.

DIZEM QUE A SUA VOZ ALGUÉM OUVIRA,
QUE ELA TEM ALMA E SABE QUE É FORMOSA,
E QUE PARECE UMA MULHER VAIDOSA
QUE NUM ESPELHO ESTÁTICA SE MIRA.

SÓ PORQUE EM NOITES LÍMPIDAS DE ESTIO,
QUANDO A BELEZA ASTRAL ESPANTA AS MÁGOAS,
ELA VEM, ORGULHOSA, VER NO RIO
SEU PRÓPRIO VULTO REFLETIR NAS ÁGUAS.

(DO LIVRO “CACHOEIRO”, DE BENJAMIN SILVA – 1996)

08/04/2010

PSICOLOGIA DAS CORES


Cada cor possui uma característica e uma influência sobre todos nós. As nossas emoções estimuladas pelas cores podem ter uma relação negativa ou positiva dependendo da experiência que associamos a elas. As cores podem tanto acalmar quanto estimular.
Além disso, os diversos fatores culturais fixam atitudes psicológicas que orientam inconscientemente as inclinações individuais.
Veja alguns exemplos:

BRANCO: Indica limpeza, pureza.

CINZA: Indica tristeza e neutralidade.

ROSA: Indica graça e ternura.

VERMELHO: Indica calor e energia.

AZUL: Indica honradez, fé e pureza.


Esses significados ficam enraizados na cultura de um povo e passam a integrar, nas sensações visuais para definir estados emocionais ou situações vividas pelo indivíduo.
Em relação à criação publicitária, os psicólogos procuram dar um sentido mais prático quanto ao uso das cores.
De acordo com estudos, existe uma estreita relação entre a idade e a preferência que uma pessoa manifesta por determinada cor. Este estudo é muito utilizado para elaborar projetos comunicação visual baseados no público alvo.
Os adultos idosos preferem cores mais escuras, como o azul e o verde, enquanto as crianças preferem cores vibrantes como o vermelho e o amarelo.
Veja a tabela abaixo:
VERMELHO - 01 a 10 anos - Efervescência e espontaneidade

LARANJA - 10 a 20 anos - Força, potência, arrogância

VERDE - 30 a 40 anos - Diminuição do fogo juvenil

AZUL - 40 a 50 anos - Pensamento, Inteligência

LILÁS - 50 a 60 anos - Juízo, misticismo e lei

ROXO - 60 anos - Saber, Benevolência e experiência

O ser humano reage a cores para gostar ou não gostar de determinada coisa, para reagir ou não reagir, para negar ou afirmar. Todos os psicólogos estão em comum acordo ao atribuirem significados a cores que são básicas a qualquer indivíduo que viva dentro de nossa sociedade e cultura.

Vejamos alguns significados, segundo um estudo realizado pelo Prof. Modesto Farina:

BRANCO: Sugere pureza, simplicidade, otimismo, Com a ausência de caracteres, cria a impressão de vazio e infinito. Evoca ação refrescante e desinfetante, principalmente quando usado junto com o azul claro.

PRETO: Símbolo do infortúnio e da morte, exibe característica impenetrável. É a cor mais desprovida de sentimento, porém se for brilhante, confere nobreza, distinção e elegância.

CINZA: Exprime um estado de alma duvidoso e neutro e evoca medo, desânimo e monotonia, à medida em que for mais escuro. O tom mais escuro é a cor do sujo e desprezível, como no tom grafite. Brilhante como a prata, é clássico e nobre.

VERMELHO: Significa força, alegria de viver, virilidade, dinamismo. Às vezes pode ser irritante ou exaltante. Impõe-se como dignidade e severidade, benevolência e charme. Cor quente por definição, sem as características do Amarelo que espalha e invade todas as cores ao seu redor. É uma cor conclusiva, porque se basta. Quanto mais escuro, mais profundo, grave circunspecto, como o Vermelho Cardinalício. Se mais claro, exprime temperamento jovial e fantasioso.

AZUL: Cor que exprime calma profunda, interior, infinita e diferente do verde. É solene, grave e espiritual, as análises racionais são ignoradas. Nos tons mais claros e brilhantes, provoca sensação de frescor e higiene, sendo a preferida pelas mulheres. O tom turquesa exprime grande força, fogo interior e frio, como os lagos iluminados pelo sol de verão. As tonalidades mais escuras agradam mais aos homens.

AMARELO: Luminosa, vibrante, vistosa e gostosa, principalmente em tons claros e limpos. É cor superficial, não transmitindo profundidade. É cor muito ativa, que estimula a criatividade, mas se sujar com o marrom ou verde, apresenta aspecto doentio, repugnante. Aquecida com ligeiros tons de Vermelho, evoca um misto de alegria e satisfação.

VERDE: É a cor mais fria, calma e tranquila, não exprimindo qualquer sentimento de alegria, tristeza ou paixão. Imóvel, satisfeita, é também a cor da esperança. Se tiver um pitadinha de Amarelo, torna-se ensolarada, ativa, indiferente. Já se houver a predominância do Azul, torna-se carregada, severa, repleta de pensamentos.

LARANJA: É a cor mais acolhedora, quente, íntima como fogo ardente, mais irradiante e expansiva que o vermelho. Ao mesmo tempo, transmite refrescância se associada com o fruto.

VIOLETA: Misteriosa e triste, melancólica e meditativa, demonstra um pensamento profundo e religioso. Em tons mais claros e luminosos, como o lilás, torna-se mágica e mística.

ROSA: Tímido, romântico, intimista. O Rosa é a cor feminina por excelência, com pouca vitalidade exprimindo afeição e afetuosidade. Sugere intimidade.

MARROM: É a cor mais realista, segundo estudiosos, é a cor que representa justiça. Não sendo brutal ou vulgar, evoca a vida sã e cotidiana. Neutra por excelência, a medida que vai escurecendo adquire características do Preto.

PASTEL: A característica de abrandamento e afabilidade das cores das quais se origina. Os tons Pastel são a representação das coisas que se encontram dentro da solidão e do foro íntimo.

16/03/2010

“Nessa rua”




Nessa rua, se essa rua fosse minha

Eu mandava por mil rosas prá enfeitar.

E haveria sempre nessa minha rua

Borboletas, beija-flores, pelo ar.

E seria toda feita de pedrinhas

De brilhantes, para o meu amor passar.

Ia ser uma rua tão linda

Como ainda ninguém pôde ver

Toda feita de luzes e cores;

Bem do jeitinho

Dos amores ia ser.



Nessa rua, se essa rua fosse minha

Eu mandava à noite os raios de luar

Se estenderem nela, inteira, de mansinho

Prateando a escuridão bem devagar.

E depois viria o sol, já bem cedinho

Despontando, vendo o meu amor passar.

Ia ser uma rua encantada

Qual nos contos de fada se vê.

E eu veria passar todo dia

A linda princesa

Dos meus sonhos que é você.

--------------------------------------------------------------

Nessa rua, se essa rua fosse minha...

Mas não é... nem é meu o seu amor!

13/03/2010

"A Máquina de Escrever"

Giuseppe Ghiaroni

Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende , além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas,tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.