07/01/2013








“Quando chega a hora”


Minha poesia é o meu refúgio certo
Em toda vez que a mágoa me devora;
Gosto de tê-la ao meu redor, por perto,
Quando minha alma tristemente chora.

Os meus pesares, prontamente aceita,
Num piscar de olhos, logo me conforta;
Se a porta da alegria acaso estreita,
Ela me acolhe abrindo a sua porta.

Serena e solidária, é a confidente,
A quem descrevo a minha desventura,
E em minha solidão se faz presente...

Eu a procuro quando chega a hora
Em que meu pranto me leva à loucura,
E conversamos...  como faço agora!

04/01/2013

"Eu faço versos"


Eu faço versos como os saltimbancos 
Desconjuntam os ossos doloridos
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que, entre gemidos,
Giro na ponta dos meus dedos brancos.

“Meu Deus! Mas tu não mudas o programa!”
- Protesta a clara voz das Bem-Amadas –
“Que tédio!” – o coro dos Amigos clama.

“Mas que vos dar de novo e de imprevisto?”
- Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
“Eu sei chorar... Eu sei sofrer... Só isto!”

Mário Quintana
(Alegrete -1906-1994)

01/01/2013






"Ao menos um dia"


O quanto tu me atrais, talvez nem imagines;
Quando passas, deixas minha alma iluminada;
Sou feito criança, sonhadora, encantada,
Desejando os brinquedos, à luz das vitrines...

O quanto eu te quero, quem dera, tu soubesses
A grandeza infinita desse meu desejo...
O quanto me fazes sonhar... ah, se pudesses
Saber tudo que sinto, quando passar te vejo.

Talvez tu saibas e te finjas inocente...
Tantos segredos podes, por certo, ocultar,
Assim nesse teu jeito invulgar, diferente.

Se sabes ou não, pouco importa, na verdade;
Se ao menos um dia não te vejo passar,
Eu devo confessar-te: - Morro de saudade!

25/12/2012

"Divino presente"
 
Tu és a estrela mais linda, que o Universo,
Em certa noite, pasmem, decidiu
Doar à Terra, num gesto controverso;
A mais brilhante que por lá surgiu.

Que dádiva, jamais se viu igual;
Mandar-nos logo a mais estonteante!...
Insensatez, medida irracional,
Privar as noites do astro mais brilhante?...

Confesso aqui, ninguém vai nos ouvir,
Que tantas noites fiquei a pedir,
Em preces fervorosas, tal encanto.

A Deus pedi nos desse esse presente,
Mandar pra nós a estrela mais luzente,
Que é você, feita mulher, que amo tanto!...

14/08/2012



“NOSSO PAI”


Pai... Só mesmo Deus é capaz de conceber
Um homem, de outros homens diferente,
Maravilhoso, “legal”, inteligente;
Forte o bastante para me proteger,
Sagaz o bastante para me entender,
Capaz de guiar-me em meus caminhos
E deles arrancar as pedras e espinhos,
De ser o meu herói, sensato e diligente.

Gordo ou magrinho, bem alto ou baixinho,
Para mim não importa qual seja o seu jeito...
Pode ter escondido, quem sabe, um defeito;
Saberei sempre amá-lo de qualquer maneira
Com a mesma paixão, sincera e verdadeira;
Hei de tê-lo pra sempre no meu coração
Elegante, importante, intelectual,
Companheiro e parceiro, amigo e leal.
   
Só mesmo Deus é capaz de conceber um pai
Que onde quer que eu esteja, ao meu lado ele vai
Que do meu pensamento, dos meus sonhos não sai
Me emprestando sempre o seu belo sorriso,
Quando o meu se ausenta, quando mais eu preciso.
Um pai trabalhador, verdadeiro e cuidadoso,
Que nas horas difíceis, com desvelo, me ampara
Que a nenhum outro homem jamais se compara.
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Pai... Só mesmo Deus é capaz de conceber
Um homem que a Ele, em constante vigília,
Ora e implora por sua família.
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Só mesmo Deus é capaz de conceber um pai...
...Como você!
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Para nós nunca existirá outro homem assim
Para todos, nesse mundo, pra você, para mim
Outro homem igual, encontrar ninguém vai:

Outro homem igual.... AO NOSSO PAI!

05/04/2012


"Um louco"


Não sei o que dizer de mim, nesses momentos
Em que me pareço a um louco (e o seja, talvez!...).
É quando grito teu nome, alto, aos quatro ventos;
Jamais tu me respondes, mas grito outra vez!

Volto a gritar mais tarde, e agora já são três,
Todas sem resposta, mas eu nunca desisto...
Meu coração, confesso, agir assim me fez;
E numa quarta, em total desespero, insisto.

Passo meu tempo gritando, feito um demente
O teu nome, sem ter descanso, inutilmente,
Acreditando sempre, que me ouvir tu vais.

E só não mais te chamo, quando já bem rouco,
É que afinal percebo, ser realmente um louco,
Que quanto menos tu ouves, vai te amando mais!...