14/12/2015









“O espelho”





Me convenci de que era jovem e formoso,
E que podia amar na vida a quem quisesse...
Um mago, um semideus, um todo-poderoso,
Que a chave das paixões em suas mãos tivesse.

Podia amar princesas e belas donzelas;
As mais encantadoras mulheres do mundo...
Jamais precisaria me empenhar a fundo:
Seduziria com meu charme a todas elas.

E fui levando a vida assim, tão encantado...
Amando sem dar tréguas, sendo muito amado,
Ufano e decidido, sem nenhum receio...

Foi quando de repente, (Eu, pálido de espanto!...);
O espelho do meu quarto desfez todo o encanto:
Mostrava, despertado, um homem velho e feio!...




05/12/2015




“Da Poesia”





Podem dizer que ela é fútil, “maçante”,
Que é coisa “das antigas”,  “démodé”...
Que todo poeta é um grande farsante;
Que poesia, hoje em dia, ninguém lê...

Podem dizer que ela é inútil, “sem graça”;
Que os temas são banais, repetitivos;
Que de um delírio escrito ela não passa,
Por outros tantos, tantos vãos motivos.

Podem dizer que é obra de um demente,
De quem não tem na vida o que fazer,
E põe-se a fazer versos, de repente...

Podem dizer até que é só tolice,
Podem dizer que é tolo quem vai ler,
Que Deus há de perdoar quem foi que disse!...