“Relógio de Parede III”
Ah, como eu lembro, meu relógio de parede,
Ele era um velho suíço, de alta precisão...
Seu suave badalar lembrava uma canção,
Que embalava meu sono, na cama ou na rede.
Por ele recusei altíssimas ofertas;
Nada mais justo, pois tratava-o como amigo...
Lembrava-me de tudo, sempre às horas certas;
Dava a impressão de que importava-se comigo...
Dava a impressão de que importava-se comigo...
O tempo foi passando, e assim como um vigia,
Num gesto nobre de total cumplicidade,
Acompanhava meus passos, no dia-a-dia....
Em certa noite, nos tornamos dois defuntos;
Em certa noite, nos tornamos dois defuntos;
Mas demos nesse adeus, selando essa amizade,
Os últimos suspiro e badalada... juntos!