05/02/2016





“Relógio de Parede III




Ah, como eu lembro, meu relógio de parede,
Ele era um velho suíço, de alta precisão...
Seu suave badalar lembrava uma canção,
Que embalava meu sono, na cama ou na rede.

Por ele recusei altíssimas ofertas;
Nada mais justo, pois tratava-o como amigo...
Lembrava-me de tudo, sempre às horas certas;
Dava a impressão de que importava-se comigo...

O tempo foi passando, e assim como um vigia,
Num gesto nobre de total cumplicidade,
Acompanhava meus passos, no dia-a-dia....

Em certa noite, nos tornamos dois defuntos;
Mas demos nesse adeus, selando essa amizade,
Os últimos suspiro e badalada... juntos!

29/01/2016








"Relógio de parede II"



 "- Relógio de parede, oh, máquina infernal,
Ruidosa velharia que me rouba a calma...
Tão fria e brutalmente impinges à minh’alma
Teu badalar rangente e sobrenatural.

 De sobressalto, quantas noites me acordaste,
Na mais flagrante afronta ao meu sono, já leve!..."
Que lamentável sina, a minha, que se atreve
A me roubar a paz tão desprezível traste?

Eu hei de me vingar quando raiar o dia!...
Emudecer pra sempre a voz do impertinente:
Sua tiquetaqueante e estúrdia sinfonia...

E assim, peça por peça eu fui jogando fora...
E toda a casa, toda noite, é tão silente,
Que é exatamente o que me rouba o sono agora!...