12/03/2016




“Desilusão”




De ti, me resta apenas a saudade,
Qual cicatriz gravada a ferro quente...
Dor e prazer, na mesma intensidade;
Um misto de emoções, intermitente.

Às vezes rio, feito um desvairado,
Só por lembrar teu rosto encantador...
E ouço a tua voz dizendo: “ - Meu amor,
Sou toda tua e és meu bem amado!...”

Logo em seguida, um sopro de amargura,
Transporta os sonhos para bem distante,
E a minha mão por tua mão procura...

Mas meu intento é vão; tudo fracassa...
E o corpo exausto, nesse exato instante,
Desencantado, à solidão se abraça!

03/03/2016





“Mentiras”



Sou de Primeiro de Abril,
E isto me deixa orgulhoso,
Pois não nasci mentiroso,
Como alguém já deduziu.

Respeito muito esse dia,
Dia do meu nascimento;
Mentiras eu nunca invento:
Só quando faço poesia!....

Como poeta eu não devo,
Dizer somente a verdade;
Tenho que usar falsidade,
Pra temperar o que escrevo.

É que a verdade, eu confesso,
Às vezes é muito dura,
E aqui, desculpas eu peço,
Pois necessária é a mistura.

Mentiras, no que se escreve,
Não vão mudar a receita;
No final tudo se ajeita,
E fica o bolo, mais leve!...