16/01/2018











“Artifício”



Eu sou aquele que verseja em profusão,
Como se fosse um hábil vate, bom poeta...
Que, em devaneios, vara insone a noite quieta,
Que perambula por veredas de ilusão.

Eu sou aquele que transforma em poesia,
Os travos de amargura, o riso mais sem graça,
A dor mais lancinante, a fugaz euforia,
(E embora passe o tempo!...), a angústia que não passa.

Deus foi quem me fez forte, deu-me esse artifício,
Para não sucumbir ao peso desta lida,
Para aplacar meus males, meio à tal suplício.

As vezes em que escrevo os versos, como agora,
Vou recobrando o alento, e a alma agradecida,
Caprichosa, as mazelas, vai jogando fora!

30/11/2016








“O relógio”




O relógio... Guardião das horas, sentinela,

Que do alto da parede, atento, me vigia,

Às noites por meu sono, diligente vela,

E festivo badala, quando rompe o dia...



Como a lembrar que a vida à luta me conclama,

Ressoa com alarde pela casa afora...

A chama do labor no coração me inflama,

E segue nesse afã, serviçal, de hora em hora...



Ó relógio... Senhor do tempo, nobre engenho...

Por teu empenho e por teu zelo, tão patentes,

Louvar teus feitos, nestes versos simples venho!...



Meu parceiro incansável desde a tenra idade:

Parece que tens alma e que às vezes pressentes

 Os tênues laços desta insólita amizade!