27/03/2013







"Bilhete de doente"



Recebi, minha flor, com muito agrado, 

o mimo e mais os beijos, que agradeço;

 beijos.., de longe, que outros não mereço,

 principalmente neste triste estado!

 

  Ah! nem sabes, talvez, quanto padeço! 

Mas, vivo agora tão desalentado,

que, com o mínimo excesso, empalideço,

 desmaio e tombo, exânime e prostrado...

 

  Não me visites, pois. Não! Tem paciência!

 Ninguém resiste à tentação que adora, 

e o doutor me proíbe essa imprudência...

 

  Perdoa; mas, dispenso-te a visita:

- Para quem sofre, como eu sofro agora,

 faz muito mal uma mulher bonita!



Luiz Pistarini - Fluminense (1877-1918)


 


 
 

04/02/2013



Hino do Ginásio Celinense

Autores:
 Célia V. Ferraz de Oliveira/Antonio Carneiro Ribeiro


Vamos, valente mocidade
Ó juvenis de amor febril.
Do nosso amor a alacridade
É para a glória do Brasil.

Celinenses, avante!
Nossa fé nos conduz
Celinenses, avante,
Nosso guia é Jesus.

Para nós a sorrir,
 És a luz mais brilhante
Que ilumina o porvir.

É nossa escola um lar ridente
São nossos livros o farol
De luz mais rica, resplendente,
Que a majestosa luz do sol.

Celinenses, avante!
Nossa fé nos conduz
Celinenses, avante,
Nosso guia é Jesus.

Para nós a sorrir,
 És a luz mais brilhante
Que ilumina o porvir.



 "Nossos olhares"


Perdoa, se me encanto, toda vez
Que te vejo tão linda numa rua;
Embora finjas sempre que não vês
Minha alma ansiosa procurando a tua.

Sinto as íris dos meus olhos, acesas,
Num misto de deslumbre e inquietação,
Apagando-se  aos poucos, indefesas,
Procurando pelas tuas, em vão.

Por que me negas teu olhar?  Que custa,
Por um instante apenas, me fitares?
Será que a luz que flui do meu te assusta?...

Não tenhas medo, que não há perigo:
Pois ao se cruzarem nossos olhares,
Só vou ainda mais me encantar contigo!

07/01/2013








“Quando chega a hora”


Minha poesia é o meu refúgio certo
Em toda vez que a mágoa me devora;
Gosto de tê-la ao meu redor, por perto,
Quando minha alma tristemente chora.

Os meus pesares, prontamente aceita,
Num piscar de olhos, logo me conforta;
Se a porta da alegria acaso estreita,
Ela me acolhe abrindo a sua porta.

Serena e solidária, é a confidente,
A quem descrevo a minha desventura,
E em minha solidão se faz presente...

Eu a procuro quando chega a hora
Em que meu pranto me leva à loucura,
E conversamos...  como faço agora!