05/08/2015








“Alogia”





Todas as noites me debruço na janela,
A sós, no escuro do meu quarto, para vê-la...
Tremeluzente flama, auriluzente estrela,
Nos páramos longínquos da azul passarela.

Ah, se pudesse vir à Terra, um segundo
Apenas, que fosse, num curto sortilégio,
Seria já o bastante pra que todo o mundo,
Agradecesse ao firmamento o privilégio.

Ah, se eu pudesse lhe alcançar, juro, o faria,
Tão logo a visse, debruçado na janela,
Pra lhe abraçar, beijar, até romper o dia...
...............................................
Que contrassenso... quão patética a alogia!...
Amar uma estrela ou ser amado por ela:
Os poetas são loucos... Ou louca é a poesia!