03/03/2016





“Mentiras”



Sou de Primeiro de Abril,
E isto me deixa orgulhoso,
Pois não nasci mentiroso,
Como alguém já deduziu.

Respeito muito esse dia,
Dia do meu nascimento;
Mentiras eu nunca invento:
Só quando faço poesia!....

Como poeta eu não devo,
Dizer somente a verdade;
Tenho que usar falsidade,
Pra temperar o que escrevo.

É que a verdade, eu confesso,
Às vezes é muito dura,
E aqui, desculpas eu peço,
Pois necessária é a mistura.

Mentiras, no que se escreve,
Não vão mudar a receita;
No final tudo se ajeita,
E fica o bolo, mais leve!...

28/02/2016


                                           

 


"TROVAS 2"


Dinheiro é o dono do mundo,
E a máxima é conhecida:
Pra se ganhar: uma vida,
Pra se gastar: um segundo!

Pensam que estou “bem na fita”,
Porque ando bem me vestindo;
A lataria é novinha
   Mas o motor tá fundindo!


Belos sapatos no pé,
Um par de meias novinho;
Mas lá no fundo, quietinho,
Quem faz a festa é o chulé!

Esconda os olhos dos meus,
Em toda vez que eu te olhar;
“ – Menina, eu juro por Deus,
Que penso logo em casar!”


O juízo é coisa séria,
Escutem bem o que eu digo:
“ – Quem dele andar na miséria,
Será também um mendigo!”

Esconda os olhos dos meus,
Que teu olhar me apavora;
Se entrar o brilho dos teus,
O meu juízo cai fora!


A minha sogra em Cumbica,
Vai viajar lá pra Itália;
“ – Por que pensei (Freud explica?...),
Numa turbina que falha?...

Alguém me empreste um juízo,
Se é que se empresta pra alguém;
Que ela mandou-me um aviso:
“ – Volto a semana que vem!”

Eu sempre tive juízo,
Calma e também sensatez...
Mas quando vi teu sorriso,
Eu perdi tudo de vez!