02/09/2016





"Alto preço"




Componho versos, e por todos tenho apreço;

Tem todos eles, para mim, mesma valia...

Não saberia, lhes confesso, dar-lhes preço,

Pois vale mais do que ouro puro essa poesia.



E se algum dia for vendê-los, já declaro,

Será alta a soma que terão que dar em troco...

E pouco importa se dirão que é muito caro:

Por mais que ofertem, vou dizer que é muito pouco.



De onde é que vem, perguntam, tão valiosa escrita?...

(Nunca lhes disse de onde surge a inspiração!...):

Eu os escrevo, mas a minha alma é quem dita.


Dirão que eu vivo superestimando a obra,

Mas, do alto preço, nunca lhes disse a razão:

Eu ponho à venda, mas a minha alma é quem cobra!

31/08/2016






“Relógio de parede VII

 

 

 

No meu relógio de parede eu vejo a vida,

No movimento dos ponteiros, ir passando...

Chego a ter dó de mim, choro bastante, quando

Tento contê-los, em patética investida.

 

Em vão, tento arrancar os três do mostrador,

Tento estancar o tempo, à toa, inutilmente...

Chego a xingar, na sala quieta, em meu furor,

Quem foi que fez objeto assim tão resistente.

 

Então me valho de um martelo!... Finalmente

Me certifico de que a imunda velharia

Não vai mais badalar impune, novamente!...

 

O meu relógio velho agora é pura escória;

Mas não de todo me livrei de sua anarquia

Seu tique-taque não me sai mais da memória!