31/10/2015

“À toda prova”



Uns me condenam por minha paixão;
Outros a enxergam com muito respeito...
Enfrento a intolerância e a incompreensão,
Como se amar demais fosse um defeito.

Aceito quando dizem que é fraqueza,
Discordo quando dizem que é profana;
Agrada-me se exaltam-lhe a beleza,
Assusta-me se afirmam que me engana.

Ao crivo dos olhares fico exposto,
Por todos sou julgado, a contragosto,
Mas nada faz mudar meus ideais...

E continuo amando, à toda prova:
 Em cada insulto o amor mais se renova;
Cada lisonja o aumenta ainda mais!...

11/10/2015






“Fardo”




Dos meus tempos de infância, vem o medo
Do encontro inevitável com a morte...
Minha alma vive aflita, desde cedo,
Buscando um lenitivo que a conforte...

Tornei-me adulto, e o mal agigantou-se;
Viver foi se tornando aterrador...
Inconscientemente em mim eu trouxe,
A semente maldita do pavor...

Viver temendo o fim é quase o fim...
Sigo tentando achar uma saída;
Minorar o dilema imposto a mim.

E a acreditar, minha alma hoje se atreve:
“ - É tão pesado o fardo desta vida,
Que o da morte talvez seja mais leve!...”