30/11/2016








“O relógio”




O relógio... Guardião das horas, sentinela,

Que, do alto da parede, atento, me vigia,

Às noites, por meu sono, diligente, vela,

E, festivo, badala, quando rompe o dia...



Como a lembrar que a vida, à luta me conclama,

Ressoa com alarde pela casa afora...

A chama do labor, no coração me inflama,

E segue nesse afã, serviçal, de hora em hora...



Ó relógio... Senhor do tempo, nobre engenho...

Por teu empenho, e por teu zelo, tão patentes,

Louvar teus feitos, nestes versos simples, venho!...



Meu parceiro incansável, desde a tenra idade:

Parece que tens alma, e que às vezes pressentes

 Os tênues laços desta insólita amizade!




22/11/2016






“Relógio de parede IX





Qual um fantasma, me espreitando noite e dia,

O meu relógio de parede se parece...

Do meu estado tem mostrado que conhece:

Que é lastimável, que meu fim já se anuncia...



Chego a tremer quando ouço o badalar roufenho,

Dessa parafernália barulhenta e antiga...

Contando o tempo, (O pouco tempo que ainda tenho!...),

É bem provável que meus passos ela siga...



Que tenha enlouquecido, muitas vezes creio:

Imaginando ver dois olhos me seguindo,

Naquele mostrador tão desbotado e feio...



Fantasmas não existem... Que bobagem!... Ora!...

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Bem sei que todos vão dizer que estou mentindo,

Mas vou lhes revelar: Estão me olhando agora!!!...